Náusea

(foto: Guilherme Lechat)
Mestre, esta alma é vazia e doente
São muitos os sintomas febris que atravessa
Dos suores frios ao delírio inconstante
Oh mestre, se soubesses o cansaço que transborda de mim
Minhas mãos não querem escrever
Parar evitar futuras criações translúcidas
Meus olhos não querem cair no sono
Para não me martirizar com quimeras perdidas
Toda esta sensibilidade me irrita
Se ao menos fosse como aqueles que se sabem divertir
Porque eu não me sei divertir
Eu destruo qualquer divertimento
Com filosofias ridículas saídas de um ser ainda mais ridículo:
Eu!
E ainda me admiro de descarrilar
Como um comboio inútil com o motor velho e gasto
E esta náusea da vida
Este enjoo das horas que passam sem que nada mude
Os dias que passam e tudo igual
Os anos que avançam e eu na mesma inconstância
Traço movimentos no mesmo sítio continuamente
Sim mestre, estou dormente
Numa dormência tal que a cabeça já nem quer pensar
Já nem as tuas palavras consegue decifrar
Nem as tuas mensagens nas entrelinhas ela descobre
Tomara que o sublime Zéfiro me arranque daqui…


